quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Pesadelo e Sonho

Faz tempo que não tenho pesadelos. Depois que a gente cresce parece que nossa criatividade sonhadora acaba. Tanto a de criar sonhos legais quanto a de criar pesadelos. Quando era criança e morava em Ipatinga, eu tinha pesadelos repetitivos. Acho que toda criança tem desse tipo de pesadelo. Aquele que se tem numa noite, e algumas semanas depois, novamente. O meu pesadelo recorrente me colocava no alto de um muro. Esse muro eu conhecia bem. Era o muro que separava a minha casa da casa do vizinho. Era um muro alto, só que no sonho ele era bem mais alto. Parecia ter uns 80 metros de altura. E lá estava eu. Em pé. Andando no muro, do fundo da casa em direção à frente da casa. Eu ia bem. Bastante decidido andava em linha reta, até que faltando apenas 2 passos eu caia. E caia. Parecia que era uma queda sem fim. O fato é que o susto era sempre muito grande e eu acordava antes do derradeiro impacto no chão. O sonho se repetiu várias vezes e nunca continuei dormindo. Sempre acordei. Eu gostava da sensação. Acordar com aquela sensação de adrenalina era muito bom. Gostoso mesmo. Nunca tive medo de pesadelos. Gostava deles.

Sonhar também é muito bom. Faz tempo que não tenho sonhos como os da infancia. Sonhava em cores, dolby surround e em 3D. Os mais legais era quando eu achava que estava acordado e de-repente estava flutuando no quarto. O teto ia ficando mais perto enquanto eu flutuava. Eu saia pela janela mesmo. Saia voando. A janela fechada, eu passava por ela e saia. Voava até a casa de meus amigos, onde os encontrava e saíamos voando juntos. Passava por locais que eu conhecia e por locais que eu desconhecia. Era bem divertido. Ficava por aí. Voando com meus amigos até que de-repente acordava por algum motivo. Era minha mãe chamando pra ir pra escola, ou um pernilongo dando razante no ouvido. Era vontade de fazer xixi ou meu irmão me cutucando para ir brincar.

Faz tempo que não tenho pesadelos. Faz tempo que não tenho sonhos surround sound.

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