terça-feira, 4 de dezembro de 2007

NY, Cultura, Segurança, Educação, e Luta Livre

Estive com minha esposa em NY em outubro deste ano. Foi minha primeira vez em NY. Pesquisamos muito antes de ir. Qual hotel ficar. Alugar carro? Qual o preço do passe de metrô? Conversamos com amigos que já foram a NY. Pegamos mapas, dicas, etc. Lemos os blogs sobre o assunto. Um blog interessante é o do mão de vaca.
Cheios de informações entramos nos sites de reserva de hotéis (www.expedia.com e www.hotels.com) pesquisamos as melhores opções disponíveis para a data prevista de viagem. Eu que já conheço várias cidades americanas fiquei impressionado como os preços de diárias em Manhattam são caros. Até em hotel que não possui banheiros nos quartos, os preços são o dobro de qualquer outra cidade que já fui. Depois de muito pesquisar escolhemos o Imperial Court. No site ele era bem ajeitado. Ao vivo causou certa decepção. Mas tudo bem. A uma quadra do Riverside Park, uma quadra do metrô e a 3 quadras do Museu de História Natural, ele tinha seu apelo. Compramos diárias para uma semana no expedia. Com a diária garantida fomos em busca de espetáculos. Pesquisei se havia algum jogo de NBA. Nenhum. A temporada ainda não havia começado. Futebol Americano, boa idéia. Sempre quis ver um jogo, mas nunca tive a oportunidade, fui no site da NFL. Opa! Tem jogo dos Giants. Tentei em todos os sites de ingressos e nada, a venda é feita por temporada, infelizmente, não foi dessa vez. Tentamos Hockey, apesar de já ter visto um jogo e achar que já era o suficiente por uma vida, queria compartilhar com minha esposa. Mas também não conseguimos ingressos. Resumindo, nenhum evento esportivo estava disponível para nossa apreciação. Stomp! Conseguimos ingressos pro Stomp. Excelentes. Sentamos na primeira fila. Minto. Sentamos na segunda fila, mas na primeira não tinham ninguém, pois o espetáculo levanta poeira e sujaria as pessoas que sentassem na primeira fila. Está aí um exemplo da preocupação americana com a segurança das pessoas e preocupação pelo bem estar dos clientes. Imagino eu que alguém já deve ter sentado ali e se sujado muito de pó de giz. E tenha reclamado ou até processado.
Quem vai a NY precisa estar preparado para andar, não tem escapatória. A menos que a pessoa vá com tempo de sobra e/ou dinheiro de sobra, precisasse estar com as canelas em forma. Eu e minha esposa ensaiamos nos preparar fisicamente para a viagem, mas na primeira tentativa resolvemos ir da Vila Mariana até o Itaim a pé para ver um filme atravessando o Parque Ibirapuera, total desastre. E faltando 2 ou 3 quadras a criticidade da situação nos levou a pegar um táxi. Voltando para o tema de NY, andar é preciso. Nessa viagem de uma semana, nos limitamos a Manhattam. O meio de locomoção era metrô, o melhor custo/benefício que encontramos. Eu não durmo em avião. Pois é, não vim com essa “feature” habilitada. O primeiro dia pra mim é sempre um martírio. No primeiro dia, depois de ir e vir no metrô do aeroporto duas vezes, conseguimos pegar o metrô pro UpperWestSide. Chegamos ao hotel, largamos as malas e fomos andar. Primeira parada, Central Park. Show de lugar. Sol bonito, pessoas passeando, crianças brincando. Tudo de bom. Atravessamos o Central Park do upper west side para o upper east side e descemos a quinta avenida. Paradas obrigatórias na Apple para analisar a compra do meu iphone, e na FAO para a mulher ver os brinquedos. Descer a quinta avenida é um passeio obrigatório em NY. São várias lojas legais para se ver (infelizmente gastar estava fora de questão) e muitos lugares interessantes como o Rockefeller Center, a Saint Patrick’s Cathedral e outros.
Bem, o texto de hoje não tem intuito turístico. A idéia aqui é falar como o povo americano é preocupado com algumas coisas que passam longe de nossa cultura brasileira. É impressionante como o contato corporal é respeitado. Qualquer pessoa que esbarra em você, por mínimo que seja, pede sempre desculpas. No metrô, no shopping, no parque, em qualquer lugar, a expressão mais ouvida é “excuse me”. Outro ponto que me chamou a atenção é a total falta de segurança do metrô. Para um país que tido como o território de maior risco de ataques terroristas, o metrô de Nova Iorque é um campo aberto para qualquer tipo de ataque. Nos sete dias que ficamos lá andamos de metrô todos os dias, e vi os mais variados tipos carregando os mais variados pacotes dentro do metrô. Um dia fiquei até com medo, mas como nós cidadãos não temos o que fazer, fiz o óbvio, ou seja, nada. Torço muito para não ouvir um noticiário ruim sobre terrorismo envolvendo o metrô dessa cidade no futuro.
Foi uma viagem sensacional. Para não tomar mais linhas em demasia, finalizo contando a história de nossa ida ao Hooters de Orlando. Para quem não conhece, o Hooters é famoso por suas porções de asinhas de frango fritas e apimentadas. É um excelente lugar para tomar chopp, pois o preço por ml é condizente com o hábito brasileiro de beber. Descobrimos também que tem uma porção de camarão que é um espetáculo. Mas a história é sobre luta-livre. Isso mesmo, quem se lembra daquelas lutas de senhores gordos, fantasiados que fingem estar dando cotoveladas e pulos uns sobre os outros? Eu assistia isso na TV Bandeirantes a muito tempo atrás com meu pai. Sinceramente não tinha nada na TV brasileira nos anos 80. O engraçado é que o Hooters estava lotado com vários clientes assistindo luta livre. Pior, torcendo muito pelos seus heróis da luta livre. Os americanos gritavam, pulavam, bradavam! Inacreditável. Perguntamos para garçonete se aquela comoção era normal, e se as pessoas lá sabiam que tudo era um teatro. Ela disse que a única coisa que ela sabia é que os piores dias de trabalho dela, são os de luta livre.