Mudar. É um clichê dizer que tudo muda. Mas os clichês estão ai para confirmar as verdades já experimentadas. Como já dizia o sábio, “nunca um mesmo homem cruza duas vezes o mesmo rio, pois o homem não será o mesmo, e nem o rio.” Mas, além das pessoas e dos rios, a mudança não acontece somente em objetos. Ela pode ser vista em produtos, e também na forma em que os serviços são prestados.
Mudar, quando o assunto é o ramo de negócios, é necessário. Está totalmente na moda a palavra inovar. Existem vários conceitos sendo alardeados por palestrantes de negócios para posicionar o conceito de inovação. Um resumo bem povão seria:
“Inovação é aquela mudança pra melhor que pegou”.
Isto é, um produto inovador tem que pegar. Pegar no sentido de ser muito bem aceito, no sentido de ter aderência aos anseios do público alvo.
Mudar pra melhor é algo teoricamente fácil. Agora, o difícil é promover uma mudança que “pegue”.
Será que a afirmação acima é real? Mudar pra melhor é realmente algo fácil? Em muitas ocasiões, essa é a etapa mais complicada da inovação. Como mudar um produto ou serviço que já esta maturado a anos? Como fazer com que algo que vem sendo feito a anos seja aperfeiçoado? Tarefa difícil hein?
Como minha mente funciona melhor com exemplos, vamos aos mesmos.
A algumas semanas atrás viajei a trabalho. Saí de Curitiba para Campinas de GOL, depois fui de Campinas a Porto Alegre de AZUL, e finalmente retornei para Curitiba de TAM.
Vamos comparar as três.
Primeiro existia a TAM. Que se diferenciou pelo atendimento e serviço de qualidade. Recepção pelo comandante. Balinha na entrada. Opções de alimentação. Bebidas alcólicas e não alcólicas. Comissários tetralingues. Tapete vermelho e tudo o mais.
Depois veio a GOL. Que se diferenciou por custos, se auto-entitulando inteligente. Aproximou as pessoas, apertando mais cadeiras dentro dos aviões. Proporcionou o primeiro website realmente funcional para venda de passagens. Ganhou rapidamente mercado e até comprou a Varig.
Finalmente veio a AZUL. E como fazer para se diferenciar? De um lado do mercado a TAM pressiona pela imagem de qualidade. Do outro lado a Gol pressiona pela imagem de custos. Além deste, surgem outros problemas: Como será o mix de serviços? Barra de cereal ou sopinha knorr? Airbus ou Boeing?
Como montar uma operação de baixos custos?
E o incrível é que a Azul conseguiu montar um modelo de negócios diferente e de valor. Mesmo com toda a pressão da concorrência. Conseguiu posicionar seu mix de produtos de forma inteligente. Os aviões são Embraer e possuem duas cadeiras de cada lado. Com isso a Azul alardeia que como os passageiros sempre preferem janela ou corredor, os aviões deles não possuem cadeiras do meio. A distancia entre cadeiras proporciona mais conforto que na Tam e na Gol. O serviço de bordo ao abolir aquele carrinho que os comissários ficam empurrando e substituí-lo por bandejas tornou o serviço mais rápido e inteligente. As mensagens das aeromoças pedindo para desligar o celular ou dizendo que estamos prestes a pousar, são mais cordiais. Parece que todos são amigos.
Enfim, a Azul mostrou que tem personalidade, criou um jeito novo de voar em um mercado cheio de boas referencias.
Para finalizar, sugiro a todos que voem de TAM de Gol e de Azul, façam suas escolhas e fomentem a concorrência.
Esse texto foi escrito em um avião!!!
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