terça-feira, 4 de dezembro de 2007

NY, Cultura, Segurança, Educação, e Luta Livre

Estive com minha esposa em NY em outubro deste ano. Foi minha primeira vez em NY. Pesquisamos muito antes de ir. Qual hotel ficar. Alugar carro? Qual o preço do passe de metrô? Conversamos com amigos que já foram a NY. Pegamos mapas, dicas, etc. Lemos os blogs sobre o assunto. Um blog interessante é o do mão de vaca.
Cheios de informações entramos nos sites de reserva de hotéis (www.expedia.com e www.hotels.com) pesquisamos as melhores opções disponíveis para a data prevista de viagem. Eu que já conheço várias cidades americanas fiquei impressionado como os preços de diárias em Manhattam são caros. Até em hotel que não possui banheiros nos quartos, os preços são o dobro de qualquer outra cidade que já fui. Depois de muito pesquisar escolhemos o Imperial Court. No site ele era bem ajeitado. Ao vivo causou certa decepção. Mas tudo bem. A uma quadra do Riverside Park, uma quadra do metrô e a 3 quadras do Museu de História Natural, ele tinha seu apelo. Compramos diárias para uma semana no expedia. Com a diária garantida fomos em busca de espetáculos. Pesquisei se havia algum jogo de NBA. Nenhum. A temporada ainda não havia começado. Futebol Americano, boa idéia. Sempre quis ver um jogo, mas nunca tive a oportunidade, fui no site da NFL. Opa! Tem jogo dos Giants. Tentei em todos os sites de ingressos e nada, a venda é feita por temporada, infelizmente, não foi dessa vez. Tentamos Hockey, apesar de já ter visto um jogo e achar que já era o suficiente por uma vida, queria compartilhar com minha esposa. Mas também não conseguimos ingressos. Resumindo, nenhum evento esportivo estava disponível para nossa apreciação. Stomp! Conseguimos ingressos pro Stomp. Excelentes. Sentamos na primeira fila. Minto. Sentamos na segunda fila, mas na primeira não tinham ninguém, pois o espetáculo levanta poeira e sujaria as pessoas que sentassem na primeira fila. Está aí um exemplo da preocupação americana com a segurança das pessoas e preocupação pelo bem estar dos clientes. Imagino eu que alguém já deve ter sentado ali e se sujado muito de pó de giz. E tenha reclamado ou até processado.
Quem vai a NY precisa estar preparado para andar, não tem escapatória. A menos que a pessoa vá com tempo de sobra e/ou dinheiro de sobra, precisasse estar com as canelas em forma. Eu e minha esposa ensaiamos nos preparar fisicamente para a viagem, mas na primeira tentativa resolvemos ir da Vila Mariana até o Itaim a pé para ver um filme atravessando o Parque Ibirapuera, total desastre. E faltando 2 ou 3 quadras a criticidade da situação nos levou a pegar um táxi. Voltando para o tema de NY, andar é preciso. Nessa viagem de uma semana, nos limitamos a Manhattam. O meio de locomoção era metrô, o melhor custo/benefício que encontramos. Eu não durmo em avião. Pois é, não vim com essa “feature” habilitada. O primeiro dia pra mim é sempre um martírio. No primeiro dia, depois de ir e vir no metrô do aeroporto duas vezes, conseguimos pegar o metrô pro UpperWestSide. Chegamos ao hotel, largamos as malas e fomos andar. Primeira parada, Central Park. Show de lugar. Sol bonito, pessoas passeando, crianças brincando. Tudo de bom. Atravessamos o Central Park do upper west side para o upper east side e descemos a quinta avenida. Paradas obrigatórias na Apple para analisar a compra do meu iphone, e na FAO para a mulher ver os brinquedos. Descer a quinta avenida é um passeio obrigatório em NY. São várias lojas legais para se ver (infelizmente gastar estava fora de questão) e muitos lugares interessantes como o Rockefeller Center, a Saint Patrick’s Cathedral e outros.
Bem, o texto de hoje não tem intuito turístico. A idéia aqui é falar como o povo americano é preocupado com algumas coisas que passam longe de nossa cultura brasileira. É impressionante como o contato corporal é respeitado. Qualquer pessoa que esbarra em você, por mínimo que seja, pede sempre desculpas. No metrô, no shopping, no parque, em qualquer lugar, a expressão mais ouvida é “excuse me”. Outro ponto que me chamou a atenção é a total falta de segurança do metrô. Para um país que tido como o território de maior risco de ataques terroristas, o metrô de Nova Iorque é um campo aberto para qualquer tipo de ataque. Nos sete dias que ficamos lá andamos de metrô todos os dias, e vi os mais variados tipos carregando os mais variados pacotes dentro do metrô. Um dia fiquei até com medo, mas como nós cidadãos não temos o que fazer, fiz o óbvio, ou seja, nada. Torço muito para não ouvir um noticiário ruim sobre terrorismo envolvendo o metrô dessa cidade no futuro.
Foi uma viagem sensacional. Para não tomar mais linhas em demasia, finalizo contando a história de nossa ida ao Hooters de Orlando. Para quem não conhece, o Hooters é famoso por suas porções de asinhas de frango fritas e apimentadas. É um excelente lugar para tomar chopp, pois o preço por ml é condizente com o hábito brasileiro de beber. Descobrimos também que tem uma porção de camarão que é um espetáculo. Mas a história é sobre luta-livre. Isso mesmo, quem se lembra daquelas lutas de senhores gordos, fantasiados que fingem estar dando cotoveladas e pulos uns sobre os outros? Eu assistia isso na TV Bandeirantes a muito tempo atrás com meu pai. Sinceramente não tinha nada na TV brasileira nos anos 80. O engraçado é que o Hooters estava lotado com vários clientes assistindo luta livre. Pior, torcendo muito pelos seus heróis da luta livre. Os americanos gritavam, pulavam, bradavam! Inacreditável. Perguntamos para garçonete se aquela comoção era normal, e se as pessoas lá sabiam que tudo era um teatro. Ela disse que a única coisa que ela sabia é que os piores dias de trabalho dela, são os de luta livre.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Pequeno tratado sobre filas, cartões e inabilidade administrativa.


Por que será que detalhes da vida cotidiana que passam desapercebidos por muitas pessoas são um incômodo tão grande à minha pessoa? Cada vez mais, o mal atendimento ou a burrice administrativa vêm me tirando do sério. Outro dia estava a trabalho em Brasília. Como de costume, eu alugo um carro na Localiza. Para quem não sabe, Brasília tem o serviço de taxi mais caro do Brasil. É um assalto quando se comparado a São Paulo, a Belo Horizonte e até mesmo ao Rio de Janeiro. Em nossa capital federal se vai do centro da cidade até o aeroporto pagando 41 reais. Um abuso. Pior que isso é que a cidade possui a frota de taxis mais velhos do país. Acaba sendo uma grande vantagem alugar carros quando se vai a Brasilia. Bem, aluguel de carros costuma funcionar muito bem nos Estados Unidos. A terra da praticidade e do individualismo torna o aluguel de carros um sucesso. O Brasil também tem individualidade mas a praticidade passa longe daqui. Quando fui devolver o carro alugado tive que enfrentar uma fila enorme de pessoas que estavam alugando seus carros. O tempo passava e as 5 pessoas que estavam a minha frente na fila esperavam por sua vez. Existiam apenas duas atendentes. Uma senhora preenchia um cadastro para clientes que retiram carros substitutos como prêmio de seguradora. Outros dois rapazes negociam preços:
- “Eu quero um pálio!”
-“Não! Vamos pegar um fox!”
-“O Fox é mais caro senhor.”
-“Quanto mais caro?”
-“Vamos pegar o Pálio!”
E meu relógio mostrava que as chances de perder meu vôo aumentava fortemente.
A senhora do carro da seguradora sai. Outro senhor passa a ser atendido. Ufa! Agora têm apenas 4 pessoas na minha frente. O senhor não entende como funciona aluguel de carros. A atendente explica tudo. O senhor não quer fazer a pré-autorização no cartão:
-“Como assim mil reais???”
-“Senhor é só para segurança. Não vai ser cobrado.”
-“Mil reais????”
Do outro lado os dois rapazes ainda discutem qual carro a escolher com a atendente:
-“O Doblô é mais caro porque?
-“Ele é de duas classes superiores senhor.”
-“Cara vamos com o Pálio, vamos?”
-“Quanto custa o Corolla?
O relógio implacável marcava uma hora para o meu vôo.
Do lado esquerdo:
-“Mil reais é muito caro mocinha!”
Do lado direito:
-“O Siena tem ar-condicionado?”
Quatro pessoas na minha frente, e faltam 50 minutos. Depois de muito questionar, os rapazes vão embora sem alugar nenhum carro. A fila vai andando na mesma velocidade, com as mesmas perguntas e eu já pensando que vou ter que dormir em Brasília.
Chegou minha vez! Faltam apenas 35 minutos! Peço para pagar logo e voltar.
-“Senhor, infelizmente o AMEX não está passando hoje.”
-“Como assim? Esperei mais que meia hora e não tem como pagar?”
-“Não se preocupe senhor! O senhor pode ir pro aeroporto que assim que o AMEX voltar a gente debita do seu cartão e envia a nota fiscal para seu endereço do cadastro.”
Sai em disparada para o aeroporto. Por que a empresa líder do mercado de locação de veículos do meu país não tem uma entrega expressa? Todas as condições para isso eles têm. Tanto é que fizeram isso. Só que com um detalhe, eu tive que passar por todo o stress de correr o risco de perder o vôo. Não o perdi. Mas com certeza meu sangue ficou banhado de adrenalina por pura imbecilidade administrativa dessa empresa.
Por que as empresas tratam seus clientes tão mal assim? Será que estão querendo testar a máxima que diz que o brasileiro não desiste nunca? A vontade foi de desistir sim.
Esse caso parece um exemplo isolado. Mas existem vários outros, muito comuns.
Esse feriado de sete de setembro, fui com minha esposa e um casal de amigos à Campos do Jordão, apelidado por mim como Jordan Fields. Cidade bonitinha, com chocolate, muitos paulistas e cariocas se achando na Europa, bondinho pra uma pessoa, lojas de roupas e cervejarias. Como bom descentende de alemães que sou, no primeiro dia arrastei todos para almoçarmos em um restaurante famoso de comidas alemãs. Tudo muito bom. Tudo muito gostoso. No segundo dia nos aventuramos a ir no Gato Gordo. Para quem não conhece é um restaurante no meio de uma floresta, com mesas a céu aberto e muita natureza. Quando chegamos vimos que estava lotado. Paramos o carro, deixamos as esposas nos colocarem na fila, e fomos estacionar. Elas pegaram uma senha para nós. Estava eu novamente em fila. Fila para pagar caro por um almoço. Os pratos variam de 40 a 60 reais. Nos sentamos em um banquinho do lado de fora, bem em frente ao aviso:
-“Não aceitamos nenhum tipo de cartão”



Aviso que deixa bem claro que os clientes que só trabalham com cartão de crédito não são queridos no estabelecimento. Pior, corrijo-me, nenhum tipo de cartão é aceito, desde o de crédito, passando pelo smiles pelo fidelidade tam pelo cartão de visita e terminando no cartão de ticket. Imagina só! Pagar a comida nobre de pessoas finíssimas com ticket! Inadimissível!`
Tudo bem, eu tinha uma, e somente uma, folha de cheque. Meu amigo tinha dinheiro. Resolvemos ficar. A fila era chamada devagar. Resolvemos pedir um chopp ao garçon que passava de um lado pro outro na nossa frente. Nós quatro, sentados em um banco de madeira, do lado de fora do restaurante pedimos:
-“Garçon, nossa senha é 411. Vc pode trazer pra nós 2 chopps?”
-“Não, só posso servir quem está sentado!”
Meu amigo logo bufou:
-“Eu to em pé?”
-“Desculpe senhor. Deixa eu refrasear, só posso servir quem já tem mesa. Mas o senhor pode ir até o balcão lá dentro e pegar os 2 chopps. É mais fácil para o senhor.”
Bem, na minha visão, se é mais fácil para os clientes eles próprios se servirem, qual o motivo de existirem garçons? Tudo bem. Política da casa. Assim como o chopp em SP é pura espuma como política da casa, no Gato Gordo a política da casa é o cliente que está esperando levantar ir ao balcão, pagar antes (sim, o número da senha que pode ser facilmente amarrado à mesa no futuro não serve para pedir o chopp) e pegar sua bebida.
Meu amigo foi lá e voltou puto.
-“Tô puto!”
A mulher falou que eu tinha que pagar antes pois as pessoas costumam pegar e não pagar depois. Agora eu me pergunto, será que é porque as pessoas só têm cartão de crédito???
Bem, feriado, a idéia era não se estressar. Ficamos. Depois de quinze minutos e 2 chopps cada a fila andou e fomos chamados. Daí em diante tudo foi ótimo. As trutas estavam dignas de engordar felinos. A batata também estava boa. Tudo gostoso e poderia ter sido muito melhor se a primeira impressão tivesse sido boa.
As empresas precisam aprender a tratarem seus clientes de forma cortêz e não agressiva. As políticas das casas deveriam visar os clientes e não o benefício próprio da casa. Mas cá entre nós, se não fosse por essas duas empresas eu não estaria aqui escrevendo esse texto.


segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Em BH peça chopp, em Brasilia veja a paisagem e em São Paulo peça cerveja.



Eu gosto de chopp. Pode ser algo genético. Minha mãe conta a lenda que quando ela tinha 5 anos em um aniversário de família ela foi encontrada desmaiada aos pés de um barril de chopp. Ela conta que bebeu chopp até sentir uma sensação de sono e apagar. Eu acho que a sensação de sono devia ser na verdade pileque. Mas tudo bem.
Quando morava em BH costumava ir ao Albanos com os amigos. E depois que meu pai faleceu, passei a levar minha mãe junto. Não conseguia deixá-la em casa sozinha. Foram tantos chopps que minha mãe acabou ficando amiga dos meus amigos. Ela prefere chopp sem colarinho. Eu gostava de qualquer jeito, mas o costume acaba criando as preferências. Passei a preferir sem colarinho. Dizem que o colarinho ajuda a manter a temperatura do chopp. Mas no Albanos o chopp é tão gelado que o colarinho não faz a menor diferença. Aliás quanto mais colarinho, menos chopp. Logo a sabedoria de minha mãe indicava pedir chopp sem colarinho, logo, chopp com mais chopp.
Outra grande vantagem do Albanos é o atendimento. Os garçons são prestativos e sabem sua preferência. Quando você pede uma porção, logo depois que a mesma chega eles perguntam se está tudo certo. As porções são bem servidas e a um preço justo.
Um tempo depois fui transferido pra Brasilia. Minhas idas ao Albanos ficaram para finais de semana pingados, quando ia a BH ver minha mãe. Minha busca por um novo Albanos em Brasilia começou. Brasilia é uma cidade atípica. Com uma renda percapta muito maior que de BH, os brasilienses se deixam ser maltratados nos bares e restaurantes. Talvez seja pela falta de opções ou talvez por não conhecerem um bom atendimento. Fui ao BierFass. Um barzinho que fica excelentemente localizado ao lado do Lago Paranoá num complexo de bares chamado Pontão. Inacreditável. O que o lugar tem de bonito, os garçons têm de ameba. O cliente senta à mesa, e os garçons ficam lá no balcão conversando entre si. Isso mesmo. Vários minutos se passam sem o garçon sequer notar que você está alí. Outros vários minutos se passam até que o garçon toma a iniciativa de ir te atender após ter notado sua presença. O chopp? Meia boca. As vezes frio. As vezes gelado. As vezes morno. Não tem padrão específico. Depende do dia. Você pode pedir sem colarinho. O chopp leva alguns minutos pra chegar até sua mesa. Dá até tempo de cultivar uma sede. Assim quando o chopp chega, você já pode virar o copo todo e pedir outro, pois vai demorar mesmo. As porções, pequenas. Mas a localização..... Excelente. O BierFass vive lotado de jovens. Todas as vezes que ia ao BierFass passava raiva e lembrava como pagava bem menos e era bem atendido no Albanos.
Mais um tempo depois fui transferido pra São Paulo. Já com esposa, família formada. Claro que escolhi uma esposa que gosta de chopp. A tradição familiar tem que continuar. Resolvemos morar na região de Vila Mariana. Perto da Joaquim Távora. Rua famosa pelos vários bares. E lá fomos nós em busca de um novo Albanos em São Paulo. Fomos a 2 bares da rua. O Paróquia e o Genuíno. Ambos famosos pelo chopp. Descobri que pode ter algo pior que um bar onde os garçons ficam alheios aos clientes. Existe nesses bares uma enganação chamada “padrão de colarinho da casa”. Ambos os bares se escondem atrás do blábláblá que o colarinho mantém a qualidade/temperatura do chopp pra vender aos seus clientes colarinho. Isso mesmo. No cardápio está escrito chopp, mas na verdade eles vendem colarinho. Os copos pequenos têm metade de chopp e metade de colarinho. Todavia o volume da metade de colarinho é muito maior, uma vez que fica na parte de cima do copo. Quando recebi o chopp pedi ao garçon pra fazer pra mim sem colarinho. O garçon quase deu um chilique.



-“Senhor! O padrão da casa é esse. Nós não vendemos chopp sem colarinho!”
Pensei que fosse problemas pessoais psicológicos do garçon em específico. Tentei outro dia com outro garçon. O chilique foi o mesmo.
-“Ahhhh! Não!!! Sem colarinho não vendemos!!!!”
Minha mulher reclamou que o chopp dela tinha 5 dedos de colarinho. O garçon retrucou:
-“A senhora tem dedo muito fino!”
Pra quê! Minha esposa já foi logo discutindo que fez o curso de chopp na Ambev e que o certo eram 2 a 3 dedos e etc. O garçon desconversou, simplesmente virou de costas e foi embora.
Engraçado não é? Os mineiros vivem em paz com seus milhares de bares e são muito bem atendidos (até pelo nome já fui chamado em algumas ocasiões), os Brasilienses não estão nem aí pra seus garçons e vice-versa, já os Paulistas são escravos dos choppeiros que vendem espuma ao invés de chopp e cobram mais que quatro reais por isso. O engraçado é que os paulistas caem no papo da importância do colarinho e continuam sendo explorados.
Ja eu e minha esposa, quando vamos a um bar que vende colarinho, nós tomamos cerveja em garrafa, que vêm padronizada em ml e não tem o papo furado do colarinho.
Enfim. Conclusão:
Em BH o chopp é gelado e o garçon cortez, mas fica longe de onde eu moro.
Em Brasilia o garçon não quer te servir, mas nesse tempo a paisagem é linda.
Em São Paulo a opinião do cliente está em último plano, o que vale é a ganancia capitalista de vender espuma a preço de chopp.



segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Os processadores RISC estão mais vivos do que nunca, o CELL comprova!


Para falarmos sobre o processador CELL, precisamos voltar um pouco no tempo e explorar as origens desta tecnologia. A história do PowerPC começa na segunda metade dos anos 70 onde John Cocke (http://en.wikipedia.org/wiki/John_Cocke) funcionário da IBM de 1956 a 1992 criou o IBM 801, processador que deu a John o título de inventor da tecnologia RISC. Depois do 801, a IBM aprimorou a arquitetura e lançou a familia POWER, sigla que significa Performance Optimization With Enhanced RISC. Desde a sua criação, os processadores POWER já tiveram várias versões (POWER, POWER2, POWER3, POWER4, POWER4+. POWER5, POWER5+. PowerPC). Hoje o POWER7 já roda nos laboratórios da IBM e alguns clientes já rodam seus aplicativos em POWER6.
Em 2004, a IBM fundou o Power.Org (http://power.org/), com o objetivo de estabelecer padrões abertos, melhores práticas e certificações sobre a arquitetura POWER, além de buscar a adoção dessa arquitetura. O Power.Org abriu a arquitetura dos processadores para a comunidade de tecnologia mundial de forma que qualquer empresa que queira criar um hardware, seja ele vídeo-game, servidor, lamina Blade, aparelhos de imagem e digitalização pra medicina, etc, possa usar os processadores POWER como base de design. Já no primeiro dia de abertura do Site power.org, 15 empresas interessadas se afiliaram. Um dos frutos da abertura da tecnologia POWER pode ser visto nos equipamentos médicos de visualização criados pela Mercury (http://www.mc.com/) (http://www.mc.com/industries/lifesciences/medicalimg/3d_to_the_core.aspx).
Em março de 2001 a parceiria STI, formada por Sony, Toshiba e IBM, foi criada, e durante 4 anos uniram forças e tecnologias para criar o processador hoje conhecido como CELL Broadband Engine, ou CELL BE. Foi investido algo em torno de U$400.000,00 nesse desenvolvimento. O processador CELL foi o primeiro processador a possuir 9 cores em uma mesma pastilha. Hoje ele está presente na console de video game da Sony, PlayStation 3, em servidores e laminas blade da Mercury Computer Systems além de lâminas blade da própria IBM. A Toshiba pretende lançar televisões de alta-definição com o CELL.
O processador CELL é composto por 1 Core PPE (Power Processor Element) e por 8 Cores SPE (Synergistic Processing Element), esses 9 cores são RISC. O PPE é responsável por rodar o sistema operacional e gerenciar o funcionamento dos 8 SPEs. Para interligar esses 9 cores existe o Element Interconnect Bus (EIB). Em sua primeira implementação o EIB funciona a 3.2GHz e consegue trafegar dados a uma taxa de 204.8GB/s. Se nos lembrarmos que um DVD de filme possui 4.7 GB, poderíamos dizer por analogia que o barramento do CELL pode transferir a cada segundo 43 DVDs!
Falando de performance FLOPS, Floating Point Operations Per Second, as consoles de video-game de terceira geração têm demonstrado serem verdadeiros super-computadores in-a-box. Os principais participantes deste mercado são o PlayStation3 da Sony, WII da Nintendo e XBOX360 da Microsoft. Os três utilizam processadores RISC com tecnologia POWER IBM. O XBOX360 foi anunciado como tendo performance total de 1 TeraFLOPS, enquanto o PlayStation3 foi anunciado como tendo performance total de 2.18 TeraFLOPS. Uma comparação polêmica aponta os computadores com processadores de ultima tecnologia x86 (CISC) como tendo uma performance de 10 GigaFLOPS. (http://en.wikipedia.org/wiki/Gigaflop)

Alguns benchmarks feitos em laboratório mostram que comparando GPPs “General Purpose Processors”, nome dado a processadores de mercado que servem para vários propósitos, com o CELL, temos que:
Para aplicações de HPC (High Performance Computing), usando algoritmo de Multiplicação de Matrizes, o CELL a 3.2GHz usando seus 8 SPEs é 8x mais rápido que um GPP de 3.2GHz.
Para aplicações de trabalho gráfico intensivo, usando algoritimo TRE (Terrain Rendering Engine), o CELL 3.2GHz chega a ser 35 vezes mais rápido que um GPP de 3.2GHz.
Enfim, desde sua criação inicial em meados dos anos 70, até hoje, a tecnologia de processadores RISC da IBM tem evoluido muito e alcançado o topo de performance nos mais variados segmentos onde está presente.
Hoje a IBM tem 2 linhas de servidores com processadores POWER, a linha System i, e a linha System p. A linha de Storage também é baseada nessa tecnologia.
Os processadores POWER5+ em servidores high-end 595, destinados a ambientes de empresas que precisam de alta-performance, com altíssima disponibilidade e excelente flexibilidade para redimensionar ambientes de produção no mesmo ritmo que seus negócios mudam, possuem hoje o dobro de performance TPC-c (http://www.tpc.org/tpcc/results/tpcc_perf_results.asp?resulttype=noncluster) por core que seu concorrente direto mais próximo, o Itanium 2 dual core.

Para mais informação:
http://en.wikipedia.org/wiki/Power_Architecture
http://en.wikipedia.org/wiki/POWER5
http://en.wikipedia.org/wiki/IBM_System_p
http://www-03.ibm.com/systems/p/
http://www.ibm.com/br/systems/p/?section=column1&position=3&referral=4&client=15_2





Meu chefe me trouxe meu Wii



Depois de muito tempo voltei a ter um console de video-game. Ainda lembro dos dias de domingo em Ipatinga quando passava horas jogando River-Raid em meu Atari. Depois quando passei a morar em Belo Horizonte, pelas manhãs de sábado meu pai me levava a uma locadora de jogos de Atari. Ficava uma hora escolhendo qual seria o cartucho que passaria 2 dias de diversão comigo. Foi o Atari, antes mesmo dos computadores TK e do CP500, que me despertou para o mundo da tecnologia. Quem não se lembra do Decathlon? Jogo que furava as mãos das crianças e quebrava os Joysticks?
Foi agora em Agosto de 2007 que encomendei um Wii. Já vinha a mais de 3 anos namorando consoles de video-game. Desde o PS2 que tenho estudado onde investir. E como sou um gadget maníaco, resolvi estudar mais a fundo e evitar investimentos em mais de uma plataforma de joguinhos. Foi bom ter me segurado, caso contrário estaria agora com PS2, xBox, PSP, xBox360, PS3 e Wii. Antes do Wii comprei um PSP. Como viajo muito a trabalho, o PSP foi um excelente companheiro de aeroporto. E ainda tem sua utilidade.
Meu chefe foi pros EUA com a esposa. Como o padrão mundial de esposas em viagens pra EUA se baseiam em compras de roupas e cosméticos, o que nada impacta na cota de U$ 500,00 de eletronicos, resolvi ser funcionário chato e pedir o Wii a ele. Difícil tarefa que dei a ele. O Wii estava sendo vendido nos EUA e no Canadá somente sob encomenda. As lojas todas em “sold-out” aceitavam encomendas em balcão ou via internet. Ao chegar o caminhão de Wii, lá estavam centenas de americanos e canadenses para garantir o seu console.
Impressionante a volta por cima da Nintendo. Concorrendo com Microsoft e Sony, monstros do capital Americano e Japonês, a Nintendo conseguiu criar um produto totalmente inovador. A inovação se baseia inicialmente em um chip de detecção de movimentos que é colocado no controle do Wii. Esse chip desenvolvido pela IBM detecta todos os movimentos possíveis que se faz com o controle. Assim, ao invés de ficar sentado no sofá somente apertando botões como no modelo de diversão proposto pela Sony e Microsoft, o jogador de Wii transforma seu controle em raquete e joga tênis sem apertar botão algum. E essa tecnologia é empregada das formas mais criativas em todos tipos de jogos, desde pescaria onde o pescador ao sentir o controle fisgando (isso mesmo o controle treme quando o peixe fisga) puxa o peixe pra fora d’agua levantando o controle rapidamente, até uma corrida de vacas onde você controla a vaca como se tivesse com o arreio nas mãos. Um sucesso.
Depois de muitos nãos em várias lojas, meu chefe resolveu tentar em uma Toy’s R Us, e enquanto estacionava o carro pediu a sua esposa para ver se tinha algum Wii. E por pura sorte, um americano que encomendara para buscar o Wii às nove horas não tinha aparecido e já eram onze horas. A atendente no melhor estilo capitalista achou melhor vender ali naquele momento pro meu chefe e sua esposa do que guardar o console para o americano relapso comprar no dia seguinte. Para minha felicidade, meu chefe me trouxe meu Wii.
A instalação física do Wii foi muito fácil e tomou apenas 5 minutos. Ligado o Wii passei pelas customizações inciais, país, hora, nomes, criação de miis, etc. Detectar minha rede wireless foi também muito fácil. O que realmente me deu trabalho foi a atualização do firmware para o nível 3. Não deu pra saber se foi culpa do meu provedor de internet (TVA) que não tem nada além de 256KB na minha região (e olha que todos os concorrentes dele possuem 2M) ou se foi o sucesso do wii e seus milhares de usuários fazendo download ao mesmo tempo, o fato é que o donwload do firmware novo levou 3 dias. Isso mesmo três dias!
Firmware instalado, me preparei para baixar o canal de internet no Wii Shop. O Wii Shop é um canal de vendas de jogos e wiiware (softwares para wii). Uma das utilidades que queria muito ter era a internet na TV via Wii. O browser que tem versão pra Wii é o Opera. Custou 500 wii points. Cada 1000 Wii points custa 10 dolares, logo o browser me custou 10 reais. Baixei em 20 minutos numa manhã antes de ir pro trabalho, e só fui testar a noite. Funcionou muito bem. Agora ficou muito mais fácil e rápido consultar notícias via internet, pesquisar qual o horário daquele filme no cinema, ou mesmo rever aquele vídeo engraçado do youtube. Isso tudo sem esperar a lentidão do windows vista carregar no PC. Ainda melhor, sentado no sofá da sala.
Sobrou 500 wii points. Que eu gastei rapidamente baixando o jogo Super Mario de uma versão bem mais antiga do Nintendo. Minha esposa adorou. Sou da época do Atari, do Decathlon, do River Raid e das passadas de marcha sem fim do Enduro. Ela é mais nova. É da época do Mario, do Luigi, das moedas escondidas e dos cogumelos que fazem crescer. Ontem estava viajando a trabalho, e ela foi pra Brasilia. Quando voltei em casa em São Paulo e liguei o Wii, conferí no histórico Wii Messages que ela jogou por meia hora Super Mario na noite anterior, melhorou a pontuação de idade dela de 68 anos para 64 anos no Wii Play e depois jogou mais 15 minutos de Mario novamente. Hehehe.
O Wii está sendo um sucesso. Agora meus próximos passos serão instalar um Media Center para ver meus filmes AVI na TV e ver minhas fotos na TV, além disso precisamos de novos jogos. Com certeza vou adquirir um Mario atual para Wii para minha esposa. Assim em minhas viagens a trabalho ela fica na companhia do Mario, do Luigi e do Wii. Melhor que ficar na companhia apenas do Ricardo não é?









Garoto eu fui pra Califórnia – Dias em San Francisco


Em maio de 2006 fui pra Califórnia com minha noiva. Eu tinha ganho um prêmio no trabalho e iria aproveitar 4 dias em um hotel de San Diego. É um prêmio legal que a empresa dá, só tem uma falha, não pode levar acompanhante. Como eu tinha dias de férias a tirar resolvi esticar o início da viagem e conhecer a costa litorânea da Califórnia com minha noiva. Usamos milhas da American Airlines. Aqui cabe aqui um elogio, essa empresa tratou-nos sem diferenciar quem usa milhas de quem compra passagem. Durante a viagem precisamos alterar um voo, e ligando do orelhão do parque Six Flags conseguimos alterar o voo sem dificuldades.
Pousamos em Dallas, e passamos pela alfândega bem rápido. Não fui selecionado para ir para a “famigerada salinha”. O fato de ser Ipatinguense me causa alguns transtornos nas alfândegas americanas. Acho que os americanos pensam que quero morar lá. Ou visitar algum amigo de infância. Sei lá.....
De Dallas voamos pra San Francisco. Chegamos em San Francisco pela manhã, umas 11 horas. Passamos pela Hertz e alugamos um Corolla vermelho com NeverLost. O GPS era da marca Maggellan, uma homenagem à Magalhães que foi um grande explorador em sua época. Mas resolvemos apelidá-lo de Magaly mesmo. Minha noiva chamava carinhosamente de Magá. Para quem nunca alugou carro nos Estados Unidos eu indico a experiência. Primeiro que a atendente pede sua carteira de motorista e se você entregar uma identidade ela entende como sendo carteira de motorista. Um dia ainda vou testar isso. Segundo que existem algumas leis de transito americanas que deveriam ser implementadas no Brasil. Uma delas é a liberação para virar a direita. Mesmo com sinal fechado todos podem virar a direita. Na primeira vez que dirigi não sabia disso, e sempre ficava parado no sinal ouvindo buzinadas, até que um dia me ensinaram essa.
Dentro do Corolla fomos procurar nosso hotel. Reservamos o mesmo ainda no Brasil usando o site expedia.com. E não é que deu certo. Cheguei lá e tinha minha reserva certinha. O hotel era simples e num preço/performance legal. Pronto, o que fazer? Estávamos em San Francisco e teríamos ainda 3 dias para conhecer a cidade. Minha noiva que antes da viagem perguntava:
-“O que vamos fazer em San Francisco?”
Voltou de San Francisco querendo morar lá. Nos 3 dias andamos de Cable Car, fomos ao Fischermann Wharf, comemos chocolate da Girardelli, passeamos no Golden Gate Park (esse merece um parágrafo a parte), tiramos fotos na Golden Gate, visitamos Salsalito, tiramos fotos dos leões marinhos, tomamos uma Budweiser no Buena Vista Social Club, descemos e subimos a Lombard Street e comemos muita Sea Food todos os dias, a ponto de enjoar mesmo.
O passeio que menos parecia promissor foi o Golden Gate Park, mas realmente nos surpreendeu. Incrível a diferença cultural entre Americanos e Brasileiros. O parque de San Francisco é mais limpo que muito Shopping Center de madames do Brasil. Não encontra-se nem folhas fora do lugar. As gramas todas cortadas, os lagos limpinhos, até os patos são mais saudáveis. As tartarugas são atléticas e tomam banho de sol antes da balada. Mas o que mais impressionou minha noiva foram os banquinhos de madeira, todos igualmente pintados de verde e com plaquinhas no encosto onde se lêm dedicatórias de pessoas que ali tiveram parte de sua história.
-“Ahhhh! Eu quero um banquinho com plaquinha pra nós!”
Exclamou minha noiva.
Em outro dia passeando na zona portuária, onde fica o Pier 39 e o Fishermann Wharf, vimos um senhor praticando natação à tarde no mar. Devia estar uns 12 graus célcius, e lá estava o senhor nadando. O engraçado da cidade é que parece que tem pouca gente. Nos 3 dias que ficamos lá foi difícil encontrar algum lugar cheio ou rua muito movimentada. Parecia uma cidade do interior (quase igual Ipatinga).
No último dia de San Francisco, entrei na Internet para escolher o próximo hotel da jornada. Íamos para Monterrey e Carmel. Os hoteis em Carmel estavam uma facada, então escolhi um em Monterrey e novamente reservei via expedia.com.
Gostamos muito de San Francisco, e deu vontade de voltar. Minha ex-noiva e atual esposa quer morar lá ainda.
No último dia pegamos a estrada para Monterrey e fomos visitar o Bay Aquarium, mas deixa essa história pra outro post.