quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A honrosa missão de fazer as mesmas coisas de forma diferente.

Mudar. É um clichê dizer que tudo muda. Mas os clichês estão ai para confirmar as verdades já experimentadas. Como já dizia o sábio, “nunca um mesmo homem cruza duas vezes o mesmo rio, pois o homem não será o mesmo, e nem o rio.” Mas, além das pessoas e dos rios, a mudança não acontece somente em objetos. Ela pode ser vista em produtos, e também na forma em que os serviços são prestados.

Mudar, quando o assunto é o ramo de negócios, é necessário. Está totalmente na moda a palavra inovar. Existem vários conceitos sendo alardeados por palestrantes de negócios para posicionar o conceito de inovação. Um resumo bem povão seria:

“Inovação é aquela mudança pra melhor que pegou”.

Isto é, um produto inovador tem que pegar. Pegar no sentido de ser muito bem aceito, no sentido de ter aderência aos anseios do público alvo.

Mudar pra melhor é algo teoricamente fácil. Agora, o difícil é promover uma mudança que “pegue”.

Será que a afirmação acima é real? Mudar pra melhor é realmente algo fácil? Em muitas ocasiões, essa é a etapa mais complicada da inovação. Como mudar um produto ou serviço que já esta maturado a anos? Como fazer com que algo que vem sendo feito a anos seja aperfeiçoado? Tarefa difícil hein?

Como minha mente funciona melhor com exemplos, vamos aos mesmos.

A algumas semanas atrás viajei a trabalho. Saí de Curitiba para Campinas de GOL, depois fui de Campinas a Porto Alegre de AZUL, e finalmente retornei para Curitiba de TAM.

Vamos comparar as três.

Primeiro existia a TAM. Que se diferenciou pelo atendimento e serviço de qualidade. Recepção pelo comandante. Balinha na entrada. Opções de alimentação. Bebidas alcólicas e não alcólicas. Comissários tetralingues. Tapete vermelho e tudo o mais.

Depois veio a GOL. Que se diferenciou por custos, se auto-entitulando inteligente. Aproximou as pessoas, apertando mais cadeiras dentro dos aviões. Proporcionou o primeiro website realmente funcional para venda de passagens. Ganhou rapidamente mercado e até comprou a Varig.

Finalmente veio a AZUL. E como fazer para se diferenciar? De um lado do mercado a TAM pressiona pela imagem de qualidade. Do outro lado a Gol pressiona pela imagem de custos. Além deste, surgem outros problemas: Como será o mix de serviços? Barra de cereal ou sopinha knorr? Airbus ou Boeing?

Como montar uma operação de baixos custos?

E o incrível é que a Azul conseguiu montar um modelo de negócios diferente e de valor. Mesmo com toda a pressão da concorrência. Conseguiu posicionar seu mix de produtos de forma inteligente. Os aviões são Embraer e possuem duas cadeiras de cada lado. Com isso a Azul alardeia que como os passageiros sempre preferem janela ou corredor, os aviões deles não possuem cadeiras do meio. A distancia entre cadeiras proporciona mais conforto que na Tam e na Gol. O serviço de bordo ao abolir aquele carrinho que os comissários ficam empurrando e substituí-lo por bandejas tornou o serviço mais rápido e inteligente. As mensagens das aeromoças pedindo para desligar o celular ou dizendo que estamos prestes a pousar, são mais cordiais. Parece que todos são amigos.

Enfim, a Azul mostrou que tem personalidade, criou um jeito novo de voar em um mercado cheio de boas referencias.



Para finalizar, sugiro a todos que voem de TAM de Gol e de Azul, façam suas escolhas e fomentem a concorrência.

Esse texto foi escrito em um avião!!!

Pesadelo e Sonho

Faz tempo que não tenho pesadelos. Depois que a gente cresce parece que nossa criatividade sonhadora acaba. Tanto a de criar sonhos legais quanto a de criar pesadelos. Quando era criança e morava em Ipatinga, eu tinha pesadelos repetitivos. Acho que toda criança tem desse tipo de pesadelo. Aquele que se tem numa noite, e algumas semanas depois, novamente. O meu pesadelo recorrente me colocava no alto de um muro. Esse muro eu conhecia bem. Era o muro que separava a minha casa da casa do vizinho. Era um muro alto, só que no sonho ele era bem mais alto. Parecia ter uns 80 metros de altura. E lá estava eu. Em pé. Andando no muro, do fundo da casa em direção à frente da casa. Eu ia bem. Bastante decidido andava em linha reta, até que faltando apenas 2 passos eu caia. E caia. Parecia que era uma queda sem fim. O fato é que o susto era sempre muito grande e eu acordava antes do derradeiro impacto no chão. O sonho se repetiu várias vezes e nunca continuei dormindo. Sempre acordei. Eu gostava da sensação. Acordar com aquela sensação de adrenalina era muito bom. Gostoso mesmo. Nunca tive medo de pesadelos. Gostava deles.

Sonhar também é muito bom. Faz tempo que não tenho sonhos como os da infancia. Sonhava em cores, dolby surround e em 3D. Os mais legais era quando eu achava que estava acordado e de-repente estava flutuando no quarto. O teto ia ficando mais perto enquanto eu flutuava. Eu saia pela janela mesmo. Saia voando. A janela fechada, eu passava por ela e saia. Voava até a casa de meus amigos, onde os encontrava e saíamos voando juntos. Passava por locais que eu conhecia e por locais que eu desconhecia. Era bem divertido. Ficava por aí. Voando com meus amigos até que de-repente acordava por algum motivo. Era minha mãe chamando pra ir pra escola, ou um pernilongo dando razante no ouvido. Era vontade de fazer xixi ou meu irmão me cutucando para ir brincar.

Faz tempo que não tenho pesadelos. Faz tempo que não tenho sonhos surround sound.

A nora da amiga da minha mãe.

Naquele dia eu rolei no chão de tanto rir. A amiga de minha mãe é realmente engraçada. Ela conta cada história. Ela tem três filhos e as histórias melhores são as sobre as namoradas dos filhos. Naquele dia ela contava sobre a namorada do filho do meio. Era uma menina bonita, alta, que chamava a atenção. Todavia tinha um parafuso a menos. A história que me fez rolar de rir aconteceu no sítio da amiga de minha mãe. Ela tinha ido com o marido, os filhos, noras e neta passar um feriado. Piscina, cerveja, churrasco, batuque. Uma diversão. Todos gostavam de curtir um feriado juntos, sem televisão, apenas a turma junta se divertindo.

Toda noite a amiga de minha mãe preparava uma mamadeira de toddy para dar para netinha. Antes de dormir ela colocava o leite, o toddy na mamadeira, chacoalhava e deixava na mesa da cozinha. Os quartos eram bem divididos. Tinha o quarto das meninas, o quarto dos meninos e o quarto dela e do marido. Certa noite, a netinha gritou pedindo seu toddy. A amiga de minha mãe, acordou meio assustada e foi na cozinha buscar. Pegou a mamadeira e foi no quarto das meninas. Sem acender a luz foi logo dando a mamadeira na boca da criança. Esta logo começou a mamar o toddy.

-”Nhammy nham nham nham nhammmy nham...”

E mamava com fome o toddy.

A amiga da minha mãe dando a mamadeira escuta:

-”Vovó! To aqui no seu quarto! Cadê o meu toddy!”

A amiga da minha mãe lascava mamadeira na nora, e esta sem notar, sem sequer acordar, mamava de babar!

No dia seguinte, todos já acordados, na cozinha tomando café, chega a nora:

-”Nossa! Essa noite aconteceu uma coisa estranha! Sonhei com chocolate e acordei toda suja e melada de chocolate!!!”

Imaginando a cena e rindo muito, lá estava eu rolando no chão de rir ao ouvir mais essa história da amiga de minha mãe.

Colega do Ponto de Ônibus

Estudava no CEFET e tinha que pegar o onibus 1404 na avenida amazonas todo dia para ir e voltar pra aula. O ponto ficava numa subida íngreme. Lá em cima, antes de começar a descer, o 1404 parava em frente a uma escolha especial para surdos-mudos.
Alguns dias o ponto estava vazio. Alguns dias cheio. A maioria das vezes tinha algum aluno da escola especial esperando também. Chegava no ponto e ficava esperando. Olhava em volta um grupo de 5 pessoas. Aquele silêncio, misturado com o barulho da cidade, e todos os cinco conversando sem emitir som algum. No total silêncio daquela conversa todos falando com todos. Mãos abanando. Sorrisos nos rostos. Um cutuca o outro pra chamar atenção. Muita conversa, nenhum som, e eu ali, um completo analfabeto. O ônibus chega. Todos subimos. Dentro mais amigos gesticulando, mais sorrisos e mais silêncio, agora misturados com o barulho do ônibus e com os resmungos do cobrador.
Certo dia, estava sozinho. Quieto, esperando meu ônibus. Eis que chega um garoto. Era magro, vestido de uniforme e com a cara boa. Veio em minha direção, fez com mão apontando a boca e o ouvido e depois fez com mão sinal de não. Logo entendi, mais um colega da escola especial. Ele apontou para meu relógio. Fez cara de interrogação. Olhei pro relógio vi a hora e falei:
-”São 13:50!”
Fez que não! Tinha me esquecido, ele não escuta. Apontou para o relógio novamente. Eu mostrei pra ele o relógio. Era um relógio analógico com um visor digital. No digital marcava a hora certa. Como tinha preguiça de olhar o analógico e fazer as contas dos minutos, não o ajustava. O analógico vivia adiantado. Uma hora, as vezes duas. Naquele dia estava uma hora adiantado. O amigo olhou apenas o analógico, fez com a mão que agradecia, respirou fundo, olhou pro alto do morro e saiu correndo.
Quando dei por mim do que ocorreu, gritei. Não adiantou, obviamente. O amigo se viu atrasado uma hora inteira e subiu o morro correndo, em velocidade tão grande que nunca eu alcançaria.