segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Em BH peça chopp, em Brasilia veja a paisagem e em São Paulo peça cerveja.



Eu gosto de chopp. Pode ser algo genético. Minha mãe conta a lenda que quando ela tinha 5 anos em um aniversário de família ela foi encontrada desmaiada aos pés de um barril de chopp. Ela conta que bebeu chopp até sentir uma sensação de sono e apagar. Eu acho que a sensação de sono devia ser na verdade pileque. Mas tudo bem.
Quando morava em BH costumava ir ao Albanos com os amigos. E depois que meu pai faleceu, passei a levar minha mãe junto. Não conseguia deixá-la em casa sozinha. Foram tantos chopps que minha mãe acabou ficando amiga dos meus amigos. Ela prefere chopp sem colarinho. Eu gostava de qualquer jeito, mas o costume acaba criando as preferências. Passei a preferir sem colarinho. Dizem que o colarinho ajuda a manter a temperatura do chopp. Mas no Albanos o chopp é tão gelado que o colarinho não faz a menor diferença. Aliás quanto mais colarinho, menos chopp. Logo a sabedoria de minha mãe indicava pedir chopp sem colarinho, logo, chopp com mais chopp.
Outra grande vantagem do Albanos é o atendimento. Os garçons são prestativos e sabem sua preferência. Quando você pede uma porção, logo depois que a mesma chega eles perguntam se está tudo certo. As porções são bem servidas e a um preço justo.
Um tempo depois fui transferido pra Brasilia. Minhas idas ao Albanos ficaram para finais de semana pingados, quando ia a BH ver minha mãe. Minha busca por um novo Albanos em Brasilia começou. Brasilia é uma cidade atípica. Com uma renda percapta muito maior que de BH, os brasilienses se deixam ser maltratados nos bares e restaurantes. Talvez seja pela falta de opções ou talvez por não conhecerem um bom atendimento. Fui ao BierFass. Um barzinho que fica excelentemente localizado ao lado do Lago Paranoá num complexo de bares chamado Pontão. Inacreditável. O que o lugar tem de bonito, os garçons têm de ameba. O cliente senta à mesa, e os garçons ficam lá no balcão conversando entre si. Isso mesmo. Vários minutos se passam sem o garçon sequer notar que você está alí. Outros vários minutos se passam até que o garçon toma a iniciativa de ir te atender após ter notado sua presença. O chopp? Meia boca. As vezes frio. As vezes gelado. As vezes morno. Não tem padrão específico. Depende do dia. Você pode pedir sem colarinho. O chopp leva alguns minutos pra chegar até sua mesa. Dá até tempo de cultivar uma sede. Assim quando o chopp chega, você já pode virar o copo todo e pedir outro, pois vai demorar mesmo. As porções, pequenas. Mas a localização..... Excelente. O BierFass vive lotado de jovens. Todas as vezes que ia ao BierFass passava raiva e lembrava como pagava bem menos e era bem atendido no Albanos.
Mais um tempo depois fui transferido pra São Paulo. Já com esposa, família formada. Claro que escolhi uma esposa que gosta de chopp. A tradição familiar tem que continuar. Resolvemos morar na região de Vila Mariana. Perto da Joaquim Távora. Rua famosa pelos vários bares. E lá fomos nós em busca de um novo Albanos em São Paulo. Fomos a 2 bares da rua. O Paróquia e o Genuíno. Ambos famosos pelo chopp. Descobri que pode ter algo pior que um bar onde os garçons ficam alheios aos clientes. Existe nesses bares uma enganação chamada “padrão de colarinho da casa”. Ambos os bares se escondem atrás do blábláblá que o colarinho mantém a qualidade/temperatura do chopp pra vender aos seus clientes colarinho. Isso mesmo. No cardápio está escrito chopp, mas na verdade eles vendem colarinho. Os copos pequenos têm metade de chopp e metade de colarinho. Todavia o volume da metade de colarinho é muito maior, uma vez que fica na parte de cima do copo. Quando recebi o chopp pedi ao garçon pra fazer pra mim sem colarinho. O garçon quase deu um chilique.



-“Senhor! O padrão da casa é esse. Nós não vendemos chopp sem colarinho!”
Pensei que fosse problemas pessoais psicológicos do garçon em específico. Tentei outro dia com outro garçon. O chilique foi o mesmo.
-“Ahhhh! Não!!! Sem colarinho não vendemos!!!!”
Minha mulher reclamou que o chopp dela tinha 5 dedos de colarinho. O garçon retrucou:
-“A senhora tem dedo muito fino!”
Pra quê! Minha esposa já foi logo discutindo que fez o curso de chopp na Ambev e que o certo eram 2 a 3 dedos e etc. O garçon desconversou, simplesmente virou de costas e foi embora.
Engraçado não é? Os mineiros vivem em paz com seus milhares de bares e são muito bem atendidos (até pelo nome já fui chamado em algumas ocasiões), os Brasilienses não estão nem aí pra seus garçons e vice-versa, já os Paulistas são escravos dos choppeiros que vendem espuma ao invés de chopp e cobram mais que quatro reais por isso. O engraçado é que os paulistas caem no papo da importância do colarinho e continuam sendo explorados.
Ja eu e minha esposa, quando vamos a um bar que vende colarinho, nós tomamos cerveja em garrafa, que vêm padronizada em ml e não tem o papo furado do colarinho.
Enfim. Conclusão:
Em BH o chopp é gelado e o garçon cortez, mas fica longe de onde eu moro.
Em Brasilia o garçon não quer te servir, mas nesse tempo a paisagem é linda.
Em São Paulo a opinião do cliente está em último plano, o que vale é a ganancia capitalista de vender espuma a preço de chopp.



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